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Compliance

Covenants em contratos de crédito: as cláusulas que podem acelerar a sua dívida

MC Crédito29 de abril de 2026
Covenants em contratos de crédito: as cláusulas que podem acelerar a sua dívida

O que são covenants

Covenants são compromissos contratuais que o tomador assume durante a vigência de uma operação de crédito. Eles existem para proteger o credor e podem ser financeiros, operacionais ou informacionais.

O ponto crítico: o descumprimento de um covenant geralmente dispara o vencimento antecipado — o banco passa a poder exigir todo o saldo devedor de uma vez. Para uma empresa, isso é potencialmente fatal.

Tipos mais comuns no Brasil

Covenants financeiros

Manutenção de indicadores em patamares definidos:

  • Dívida Líquida / EBITDA abaixo de um teto (ex.: ≤ 3,5x)
  • Cobertura de juros (EBITDA / despesas financeiras) acima de um piso (ex.: ≥ 2x)
  • Liquidez corrente mínima (ex.: ≥ 1,2)
  • Patrimônio Líquido mínimo

Covenants operacionais

  • Não dar garantia real a outro credor sem anuência (negative pledge)
  • Não realizar fusões, cisões ou aquisições sem autorização
  • Manter o objeto social principal
  • Não pagar dividendos acima de certo % do lucro

Covenants informacionais

  • Entregar balanços auditados em prazo definido
  • Comunicar eventos relevantes em até X dias
  • Permitir auditorias do credor

Por que tantas empresas se machucam

No Brasil, é comum o tomador assinar sem ler os anexos onde estão os covenants. Em ambientes de crescimento isso passa despercebido — o problema só aparece quando o cenário aperta:

  • Queda de faturamento estoura o teto de Dívida/EBITDA
  • Investimento financiado eleva endividamento acima do permitido
  • Atraso em entrega de balanço auditado

Em qualquer desses casos, o banco pode (e tipicamente vai) usar o covenant para renegociar a operação em condições muito piores ou exigir vencimento antecipado.

Como lidar antes de assinar

  1. Leia todos os anexos — covenants raramente estão no corpo principal
  2. Simule cenários adversos — sua empresa cumpriria os indicadores em uma queda de 20% no faturamento?
  3. Negocie buffers — pedir 0,5x a mais no teto de Dívida/EBITDA pode salvar a empresa em um ciclo ruim
  4. Negocie período de cura — direito de regularizar antes do vencimento antecipado (ex.: 60 dias)
  5. Mapeie os triggers cruzados — covenant de uma operação pode disparar outras (cross-default)

Quando consultoria faz diferença

Em operações estruturadas, a engenharia de covenants é tão importante quanto a taxa. Conseguir um teto de Dívida/EBITDA de 4x ao invés de 3x pode literalmente preservar a empresa em um ciclo difícil — e tipicamente custa menos do que reduzir a taxa em 0,1% ao mês.

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